fbpx
O que fazer quando o ENTREVISTADOR passa dos LIMITES?

O que fazer quando o ENTREVISTADOR passa dos LIMITES?

Muito se fala sobre o comportamento dos candidatos, o que devem ou não fazer e dizer durante um processo seletivo. Mas pouco se fala sobre o entrevistador. Como deve ser sua postura? Como identificar se ele está ou não passando dos limites? E se estiver, o que o candidato pode fazer?

Há alguns anos eu buscava uma nova oportunidade como Analista de RH, já trabalhava na área, mas ainda era bastante inexperiente e até aquele momento tinha participado de poucos processos seletivos. Fui chamada para entrevista em uma empresa de médio porte, mas bastante conhecida em São Paulo. A oportunidade era muito boa, o salário, benefícios, localização e as atividades eram melhores do que eu tinha naquele momento.

O primeiro contato foi com a Gerente do RH, tivemos uma conversa agradável, fui aprovada. Em uma nova etapa do processo fui entrevista pelo Diretor de Operações, pois ele seria meu principal cliente. Fui novamente aprovada!

No dia seguinte a Gerente de RH me ligou pedindo para ir conversar com o dono da empresa, fiquei surpresa e ela me explicou que seria apenas uma conversa informal, pois ele fazia questão de conhecer todos os candidatos que atuariam na matriz da empresa.

Estava um pouco tensa, mas confiante e, então, fui conversar com o Dr. Armando!

Entrei na sala dele e fechamos a porta. Ele me olhava fixamente enquanto ascendia um charuto e então veio à primeira pergunta “Quem é a Fernanda?”. Comecei a contar sobre minha formação e trajetória profissional. Ele me interrompeu dizendo: “Quero saber quem é a Fernanda pessoa, a profissional eu já conheço”.

Então respondi um pouco sobre minha vida pessoal. Eu era recém divorciada, tinha um filho pequeno, minha família era do interior. Tinha vindo para a capital estudar e trabalhar, buscando mais oportunidades. Foi isso que eu contei para ele! Para minha surpresa, novamente ele me interrompeu: “Se casou e se divorciou muito jovem, o que aconteceu?”. Eu disse que não havia entendido a pergunta e ele insistiu: “Porque você se casou e se divorciou ainda tão jovem?”.

 

Leia também:

Existe Currículo Ideal?

Será que você tem crenças que impedem sua Recolocação Profissional?

Você tem perfil para trabalhar numa START UP?

 

Respondi um tanto quanto sem graça e bastante constrangida, e ele riu! Isso mesmo, ele riu e disse que eu não precisava tentar ser politicamente correta, que eu poderia responder sem rodeios.  Eu insisti que o que havia acontecido era exatamente o que eu já tinha contado. Ele não se deu por satisfeito, me perguntou qual era a opinião dos meus pais sobre isso e aí eu disse que meus pais sempre me apoiavam nas minhas decisões.  Por fim, ele acrescentou: “Então você não está me contando toda a verdade” e riu novamente num tom bastante irônico!

Senti-me um bobo da corte, uma criança sendo questionada por um adulto cujas respostas eram incoerentes e engraçadas, só que eu estava ali falando da minha vida pessoal para um desconhecido e não havia nada de engaçado nisso. Pelo contrário, estava sendo bastante constrangedor e incomodo. A cada risada eu tinha vontade de chorar, mas me mantive firme. As perguntas invasivas continuaram, especialmente sobre minha relação com meu ex-marido e os motivos do meu recente divórcio.

Antes de terminar a entrevista ele começou a me falar sobre amor, abriu um livro de poesias, leu algumas e disse que o mais importante na vida era sermos felizes! Por fim agradeceu minha presença e então, finalmente, fui embora.

“Assim que entrei no carro desabei a chorar me sentindo extremamente desrespeitada. Sai convicta de que não trabalharia naquela empresa de forma alguma e foi o que aconteceu! Dias depois me ligaram informando que eu havia sido aprovada e eu recusei a vaga”.

 

Qual é o limite de um recrutador na hora da entrevista de emprego?

É comum o recrutador querer saber um pouco da vida pessoal do candidato. Se é casado, se namora, se tem filhos, onde mora, etc. Essas perguntas podem ser de interesse profissional e impactar diretamente a vaga em questão, como fatores de disponibilidade para viagens constantes ou até mesmo mudança de cidade.

No entanto, os interesses da empresa com relação ao candidato devem se limitar ao que tiver relação com a vaga. Perguntas relacionadas à religião, opção sexual, política, os motivos que o levaram a se divorciar, qual o valor da pensão do filho, informações sobre as estratégias da antiga empresa, assim como solicitação de documentos como certidão negativa de órgãos de proteção ao crédito são invasivas e absolutamente inadequadas.

As empresas têm diversas formas de avaliar o candidato, desde a análise curricular, entrevistas, testes de personalidades até a solicitação de recomendação do antigo empregador. Nessa perspectiva, os questionamentos apresentados acima são excessivos e desnecessários.

 

Então, como você deve se posicionar?

Passar por uma entrevista de emprego muitas vezes não é tarefa fácil. Pois normalmente a entrevista significa uma nova oportunidade de trabalho que vem acompanhada de muitas expectativas, sonhos de uma nova fase na vida profissional e conquistas na vida pessoal.

“Mas entrevista de emprego não é interrogatório.”

Durante o processo seletivo, se você entender que uma pergunta ultrapassa a esfera profissional, pode responder, educadamente, ao recrutador que essa é uma questão pessoal e que você não se sente confortável em respondê-la.

Por exemplo, quando o Dr. Armando me questionou sobre o motivo de eu ter me casado e divorciado tão jovem, poderia ter respondido algo como: “Dr. Armando, peço desculpas, mas essa é uma questão pessoal e irrelevante para a vaga, não me sinto confortável em respondê-la, podemos continuar a entrevista com outra pergunta”?

Ouço constantemente relatos dos meus clientes sobre recrutadores que se atrasaram, são mal humorados, irônicos, fazem comentários descabidos como se houvesse dúvidas sobre a veracidade das informações do currículo, entre outras situações bem desagradáveis.

Nesses casos, a melhor forma de agir, é ser profissional. Talvez a outra pessoa não esteja em um bom dia, e não é nada relacionado a você, então não corra o risco de se prejudicar e mantenha-se simpático, educado e sorridente. Se tudo correr bem e você for admitido, cabe avaliar a possibilidade de levar o caso ao RH!

Agora, se a situação foi muito grave e você se sentiu ofendido ou desrespeitado, cabe uma reflexão se você realmente quer trabalhar nessa empresa. Pode ter sido uma situação pontual, ou não. E se começaram dessa forma já na entrevista, só nos faz imaginar como poderá ser “desafiador” o dia a dia do trabalho, não é mesmo?

 

Fernanda Gomes – Co-Fundadora da Eu Empregadíssimo