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Já pensou em dar continuidade na sua carreira FORA DO BRASIL?
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Já pensou em dar continuidade na sua carreira FORA DO BRASIL?

Será que isso é realmente possível?

 

Rodrigo Santos é Diretor de Arte, tem 35 anos e mais de 10 anos de experiência no mercado de publicidade e propaganda. Formado em Comunicação Social e especializado em Design e Direção de Arte, abriu mão de uma carreira sólida no Brasil para viver o sonho de morar e trabalhar na Alemanha, e nesse artigo ele vai nos contar sua história!

 

Rodrigo em frente à Catedral de Berlim, Alemanha

Olá, sou Rodrigo Santos, brasileiro e profissional da área de publicidade e propaganda.

A pedido da Eu empregadíssimo quero contar minha história para você.

Natural de São Paulo, por mais de 10 anos construí uma carreira consistente como Diretor de Arte no Brasil e tive a oportunidade de trabalhar em algumas das maiores agências de publicidade do mundo, mas resolvi recomeçar a vida na Alemanha trazendo comigo toda a bagagem profissional dos últimos anos.

Cresci na cidade de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo e estudei em um colégio público do bairro. Não era o que se pode chamar de “aluno aplicado”, principalmente nas disciplinas de exatas. Por outro lado, as disciplinas de humanas sempre me prenderam a atenção e desde a adolescência já me interessava muito por história e geopolítica e em como a nossa sociedade se comporta durante os anos. Também influenciado por filmes, livros, músicas e revistas, tinha uma crescente curiosidade de visitar, de ver e estar nos lugares onde grandes fatos históricos aconteceram. Mas para um garoto da periferia de São Paulo, viajar para todos esses lugares era algo praticamente impossível, então ficava só na vontade mesmo. Porém, o interesse e curiosidade sempre me acompanharam, então sempre que podia, lia sobre a cultura, a vida, a história e até sobre a economia da Alemanha.

Em 2006 me formei em Comunicação Social e, como já tinha alguma habilidade e uma noção de onde queria chegar, consegui um trabalho com Web Designer em uma pequena empresa. Também aproveitei que agora já tinha um salário e comecei um curso de inglês. E aqui quero deixar minha primeira “dica” para quem pensa em morar fora do Brasil: estudei inglês no Brasil por 4 anos e em algum momento achei que já era suficiente. Não era! E descobri isso da pior maneira possível.

Na Alemanha, assim como na maior parte da Europa, as pessoas aprendem inglês de verdade desde criança. Quando chegam à vida adulta espera-se que a pessoa seja realmente fluente no idioma e, na maior parte dos casos elas são.

 

“Não importa para qual país você deseja ir, o inglês é importante,
então não pare de estudar!”

Alguns anos depois de concluir a graduação, decidi que era hora de me especializar nas áreas de Design e Direção de Arte. Passei por algumas outras agências de propaganda até chegar na Leo Burnett, uma das maiores agências de publicidade e propaganda do mundo atuando como Diretor de Arte.

Esse trabalho havia sido a melhor experiência profissional da minha vida, uma agência muito criativa, inovadora e não por acaso, mundialmente famosa. Lá tive a oportunidade de trabalhar com profissionais que admiro, em grandes projetos, ganhar uma grande bagagem profissional e tornar o meu portfólio mais criativo e atraente.

Eu estava realmente feliz com minhas conquistas profissionais e onde eu havia chegado. Mas foi nesse momento que decidi trabalhar em outro país, afinal, eu tive a certeza de ser um profissional competente e que poderia competir de igual para igual em qualquer lugar do mundo.

Tomada à decisão de mudar para a Alemanha, a primeira coisa que fiz foi procurar saber quais eram as chances reais e legais de tornar meu sonho realidade. Então comecei uma grande pesquisa para saber qual visto se encaixava em meu perfil e encontrei o visto de procura de trabalho, um visto para graduados que te permite procurar trabalho em sua área de formação por um período de 6 meses. Então fui até o consulado e solicitei o visto.

Em seguida comecei a pesquisar sobre as diferenças entre o mercado de trabalho brasileiro e o alemão, entrei em contato com pessoas que trabalham em outros países e/ou que fizeram essa jornada para entender a atual situação e como era o ritmo e o tipo de trabalho, diferenças salariais, cargos e empresas.

“Nesse período, falei com muitas pessoas e criei uma rede de contatos voltada
para meu objetivo, o qual se mostrou fundamental depois de algum tempo”.

 

Enquanto colhia o máximo de informações possíveis e aguardava o resultado do pedido de visto, me candidatava ativamente para as vagas. Criei um filtro de busca de vagas no meu perfil no LinkedIn e no Xing (espécie de LinkedIn muito usado na Alemanha). Me candidatava para vagas que recebia por e-mail, indicada por amigos e contatos, por meio dos sites das empresas, sites de emprego e onde mais pudesse encontrar um trabalho.

Em pouco mais de uma semana o visto foi aprovado. Agora com o visto na mão, mala arrumada, despedidas feitas, tudo pronto, eu só precisava dormir e relaxar pra viagem do dia seguinte (é claro que falhei miseravelmente e passei a noite em claro ansioso com a viagem). A viagem em si foi bem tranquila, mas na hora que o comandante informa a tripulação e os passageiros “decolagem autorizada” é que a ficha cai e você pensa: “Então é isso! Não era isso que você queria? Então tá aí. É agora”!

Cheguei à Alemanha com a convicção de que o inverno europeu de 2019 seria o mais quente de toda a história. Afinal, no dia anterior à viagem, São Paulo registrava 37 ºC e o sol brilhava como nunca. Mas foi então que as portas do aeroporto de Berlin se abriram e eu quase caí pra trás. Me lembro exatamente: era 15h de uma sexta-feira e a temperatura local era de -5 ºC. Apesar de estar parecendo um robô, tentando andar com tanta roupa, luva, touca e cachecol, um frio daquele tamanho ainda era inimaginável para mim. Até que passou do meu lado uma criança vestindo apenas um moletom. Então pensei: “Se esse menino consegue, eu também consigo. E consegui”!

Logo de cara percebi que não falar Alemão seria um grande empecilho para atingir meu objetivo, então tratei de estudar muito, passei 5 meses dedicados a estudar alemão e somente depois de me sentir um pouco mais seguro em me comunicar foi que comecei a procurar um emprego.

Meu visto já estava perto de acabar e depois de fazer dezenas de entrevistas, falado com muitas pessoas e recebido muitos “Não” foi que consegui minha primeira oportunidade na Alemanha. Um trabalho temporário de um mês como Diretor de Arte em uma pequena agência em Berlim e com esse trabalho pude renovar meu visto por mais 3 meses. Continuei a dura busca por trabalho até que um dia recebi uma proposta para trabalhar em uma agência de propaganda em outra cidade. Não tive dúvidas! Aceitei a proposta, arrumei minhas malas e cheguei na linda cidade de Munique com um trabalho do jeito que eu queria e com um visto de trabalho.

 

Meus maiores desafios:

Essa não foi uma jornada fácil, mas acredite, o maior desafio não é só lidar com a sua própria insegurança, mas não desanimar diante das inseguranças dos outros.

Desde o começo ouvi coisas como “você é louco”, “alemão é muito difícil”,
“você não vai conseguir”, “lá é muito frio”, “vai deixar seu emprego fixo pra trás?”,
“o seu lugar é aqui”, “eles são preconceituosos”, “pra quê aprender outra língua?”…

Eu tinha um sonho, e precisei de muita coragem para tirar esse sonho do papel. Hoje me sinto mais feliz, realizado e convicto de que com foco, determinação, disciplina e trabalho duro, posso chegar onde quiser.

Outro grande desafio é a adaptação a um novo país. A vida aqui na Alemanha não é tão fácil quanto se imagina, principalmente no início e aprender uma nova língua, mesmo que você tenha contato com ela, leva muito tempo.

Hoje tenho mais segurança em me comunicar em alemão ou em inglês. Estou aprendendo a ter uma vida mais regrada, com mais disciplina, assim como os alemães. Afinal, o trem passa todos os dias às 8:01h, então se você chegar na estação às 8:02h vai ter que esperar por alguns minutos o próximo e, nos dias de temperatura negativa, isso faz uma grande diferença.

 

Não abri mão de tudo!

Próximo de completar um ano vivendo na Alemanha, percebo que não abri mão de tudo que deixei no Brasil, e provavelmente não abrirei. Há princípio parece fácil lidar com a ausência da família, namorada e amigos. Afinal, estamos em tempos modernos e uma ligação por WhatsApp pode ser alcançada facilmente. Mas é só quando acontece com você é que se percebe quão difícil é essa decisão e quantas pessoas ela afeta.

“Porém, antes de tudo eu tinha um sonho e estava focado nele  e só por isso já fazia tudo valer a pena”.

 

Aqui vai meu conselho para quem pensa em viver e trabalhar no exterior:

Estude inglês!  Depois, pense, questione-se e seja sincero se é isso mesmo que você quer para sua vida. Digo isso porque é fácil dizer que quer morar em outro país quando o momento político e econômico no Brasil não é bom, quando a segurança deixa a desejar ou quando as coisas não vão bem no seu atual emprego.

Porque se essa for sua motivação, as dificuldades em outro país podem se tornar ainda piores ou até mesmo insuportáveis.

É comum vir passar férias aqui, com tempo, dinheiro e disposição e ficar maravilhado. Achando que encontrou o lugar perfeito. Outro dia ouvi um casal brasileiro – aparentemente de férias aqui – conversando, quando um disse para o outro: “Aqui é tudo muito limpinho, não pode jogar papel no chão.” Então pensei (mas não falei): “Pô, no Brasil também não pode.

Então, quando você mora no lugar, ainda não domina o idioma, paga quase 40% de imposto sobre seu salário, tem de cumprir os deveres de um cidadão comum ou precisa acordar cedo quando a temperatura lá fora é de -2ºC, as coisas podem não ser tão maravilhosas.

Mas se você tem algo maior, algo que só você sabe, que não se pode explicar, mas você sabe que está lá, monte um plano A, um B e um C. Se prepare bem, faça tudo dentro da lei e tente, tente mesmo! Você é bom e o mundo está cheio de oportunidades só esperando por você.

Desejo boa sorte.

Ou como se diz por aqui: Viel Glück!

 

Rodrigo Santos