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Estagiária aos 27 anos?
Um bate papo sobre mudança de carreira, propósito e idade!

Estagiária aos 27 anos?

Um bate papo sobre mudança de carreira, propósito e idade!!

 

Lembro-me até hoje quando eu era criança e meu pai me falava quase como uma oração todos os dias na hora do jantar: “Filha, quando crescer você precisa ser independente, ter ser próprio dinheiro e se sustentar. Para isso precisa trabalhar em uma boa empresa”.

Ao terminar o ensino médio fui morar com minha irmã em São Paulo, meu sonho era trabalhar em uma multinacional, fazer carreira e me tornar uma importante executiva comercial, assim como meu pai. Entrei na faculdade e pouco tempo depois consegui uma oportunidade na área comercial de uma grande multinacional, estava tão feliz que tinha vontade de andar com o crachá da empresa pendurado no pescoço a todos os lugares que ia. Eu estava orgulhosa de mim, estava seguindo as instruções que meu pai havia me dado!

Alguns anos se passaram, eu terminei a faculdade, tive algumas promoções na empresa, mas toda aquela felicidade havia acabado. Me sentia triste, desanimada, sem motivação! As manhãs eram sempre uma grande tortura e eu já chegava na empresa  com vontade de ir embora… Você já viveu alguma situação parecida?

Um dia meu gestor me perguntou se eu queria apoiar o RH nas contratações temporárias da área comercial, pois eles iriam precisar de ajuda e como eu tinha bastante experiência no comercial poderia ajudá-los. Claro que concordei!! Eu precisava de algum tipo de mudança naquele momento…

 

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Fui trabalhar apoiando o processo de seleção e treinamento de um time de aproximadamente 400 pessoas, participei de cada etapa do processo! Aquele projeto foi um divisor de águas na minha vida. Acredito que o Universo conspirou para que eu estivesse ali naquele momento e assim, pudesse perceber que o meu lugar não era no comercial e sim no RH. Foi uma importante descoberta na minha vida profissional. Foi o primeiro passo de grandes mudanças que estariam por vir. Há muito tempo eu não sentia tanto prazer em desenvolver uma atividade, e nos meses que se seguiram eu trabalhava horas e horas, dias e dias, semanas após semanas sem sentir nenhum tipo de cansaço, sem esmorecer, sem desanimar… Eu estava realmente feliz!

Um tempo depois, finalizado o trabalho (que era temporário), eu voltei para o comercial! Mas dessa vez eu não estava mais chateada, naquele momento eu passei a ter clareza do que queria profissionalmente e isso me trouxe um tremendo alívio! Então comecei a tentar migrar para a área de RH daquela mesma empresa. Migrar de área não é tarefa fácil, mas era o que eu queria! Então, eu conversei com meu gestor, ele me apoiou desde o começo e me indicou para diversas vagas dentro do RH. Porém, ainda assim, infelizmente não deu certo! Não fui aprovada em nenhum dos processos seletivos internos.

Precisei tomar uma decisão! Eu estava triste e desanimada, meus resultados no comercial vinham caindo e eu sabia que aquela situação logo se voltaria contra mim. Precisava encarar minha decisão de mudança ou me conformar em ficar no comercial e melhorar meu desempenho.

Ter uma vida profissional com propósito e que fazia sentido para mim pesou muito mais! Não tive dúvidas, me matriculei na faculdade de Gestão de Recursos Humanos e comecei a procurar estágio! Mas, de novo, não foi nada fácil. Minha família e meus amigos eram contra, me achavam louca por querer sair de uma grande empresa e querer começar novamente como estagiária. Era como começar do zero mais uma vez e confesso que essa situação me assustava também!

Nos primeiros processos seletivos que participei, percebi a diferença de idade entre mim e os outros candidatos, eles eram muito mais jovens, solteiros e a maioria já estava no último ano da faculdade. E eu ali: casada, com filho pequeno, aos 27 anos e ainda cursando o primeiro semestre! Em um dos processos de seleção, uma jovem de uns 19 anos me disse com um tom de inconformidade: “Mas você quer mudar de área agora? Eu se fosse você ficaria onde está”. Isso mexeu muito comigo. Se eu pensei em desistir? Sim, inúmeras vezes! Eu não me sentia nada competitiva! Os processos de seleção que eu participava eram sempre assim, cheios de jovens entre 19 e 21 anos com formação em universidades de primeira linha, mais de um idioma e com experiências de residência fora do país. E eu tinha sete anos de experiência na área comercial, estava começando outra faculdade, casada e com um filho ainda bem pequeno!

Mas o inesperado aconteceu! Em um dos processos que participei, me chamaram para uma segunda conversa e em uma manhã, me ligaram dizendo que eu havia sido aprovada! Comecei a trabalhar naquela empresa aos 27 anos como estagiária, ganhando 75% menos do que na empresa anterior! Mas eu estava feliz, sabia que aquele era o meu caminho.

Alguns meses depois, como eu já tinha desenvolvido uma relação mais próxima com o Gerente de RH, perguntei para ele porque ele havia optado por mim e não por nenhuma dos outros candidatos, e ele me respondeu:

– Fernandinha, nosso desafio aqui é implantar um RH do zero  e vamos precisar de muita ajuda. Você ainda é jovem, uma jovem mais madura, responsável e com uma boa experiência em uma boa empresa. Eu sabia que chegaria aqui e daria o melhor de você desde a nossa primeira conversa.

Em muitos outros processos seletivos fui reprovada, talvez por me acharem velha demais para ser uma estagiária, talvez por acharem que minha formação era ruim, ou pelo fato de ter um filho pequeno ou talvez por terem simplesmente gostado mais de outro candidato. Eu nunca terei uma resposta para essas perguntas, mas o que aprendi é que sempre irá existir uma boa oportunidade para cada um de nós, precisamos acreditar nisso e em nosso potencial, não desistir dos nossos sonhos, seguir em frente com pensamentos positivos e ser grata pelas oportunidades que surgirem!

O final da história? Trabalhei nessa empresa por cinco anos, sai para uma outra oportunidade onde permaneci por mais 6 anos em uma posição de destaque no RH. Depois fui para uma outra grande empresa onde permaneci por mais alguns anos. Fiz uma carreira dentro da área de RH que considero muito bem sucedida!

E por fim, novamente senti um chamado da minha essência que me disse que era o momento de mudar uma outra vez. Fiz mais uma transformação na minha vida profissional e eis que agora estou aqui agora escrevendo esse artigo para você!

Te desejo muito sucesso!

 

Fernanda Gomes – Co-fundadora da Eu Empregadíssimo